Liberdade, cultura e tradições africanas na tela do cinema

Posted on 08/09/2016

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Cine Humberto Mauro exibe, a partir de hoje (8), mostra dedicada às produções africanas das décadas de 1970 a 1990

A Negra de... (1966), de Ousmane Sembene, primeiro filme africano a ganhar destaque internacional

A Negra de… (1966), de Ousmane Sembene, primeiro filme africano a ganhar destaque internacional

O cinema africano é o destaque do Cine Humberto Mauro. A partir desta quinta-feira (8), entra em cartaz a mostra Clássicos Africanos, recorte com 23 filmes raros – entre curtas, médias e longas-metragens, que evidenciam as cores, as tradições e os mitos da pulsante cultura da mãe África. Da ficção ao documentário, o público terá a chance de conferir trabalhos de 16 cineastas oriundos de países como Senegal, Nigéria, Mali e Egito. Em comum, as obras reforçam a identidade dos povos africanos e potencializam o sentimento de nações independentes.

Enquanto no ocidente e na Ásia os filmes foram inspirados por obras teatrais e literárias, a produção africana encontrou seu caminho em diferentes narrativas orais. A partir da década de 1950, com o advento do processo de descolonização de diversos países, uma nova perspectiva chegava às telas, e as próprias nações, suas culturas, suas tradições e suas peculiaridades passariam a influenciar diretamente as produções cinematográficas. De 1970 a 1993 foram realizados aproximadamente 400 filmes, grande parte deles por ex-colônias francesas.

De acordo com o gerente do Cine Humberto Mauro e um dos curadores da mostra, Philipe Ratton, os filmes selecionados têm uma importância cultural muito grande, principalmente por retratarem o reencontro de um continente com suas origens. “A partir dessa abertura, as nações africanas passaram a ser retratadas com um olhar mais interior, dos próprios diretores africanos, e não mais em caráter documental, produzido por cineastas que não entendiam ou não vivenciavam a realidade dos povos”, disse.

Não faltam exemplos para que o público possa entender melhor as relações no continente a partir desse novo cenário de independência e de produção. Em Bakô: a outra Margem (1978), de Jacques Champreux, por exemplo, as tensões entre os países colonizados e suas ex-colônias ditam toda a narrativa da obra. E a produção Carta Camponesa (1975), de Safi Faye, questiona a falta de perspectiva econômica para o povo das ex-colônias.

A partir da década de 1980, o retorno às origens e às tradições, inspirado na vida das tribos africanas, é o grande mote das produções. Fary, a Jumenta (1989), de Mansour Sora Wade, por exemplo, é baseado em um conto tradicional senegalês que expõe singularidades dos costumes daquele país. Já Finzan (1989), filme de Cheick Oumar Sissoko, reflete a cultura africana do ponto de vista das mulheres, ao abordar a questão da circuncisão feminina.

Mais raridades compõem a programação da mostra. A Negra de… (1966), dirigido pelo senegalês Ousmane Sembene, foi o primeiro filme do continente a ganhar destaque internacional. O diretor do longa-metragem, inclusive, é considerado o pai do cinema africano. Outra produção de destaque é A Viagem da Hiena (1973), de Djibril Diop Mambéty, obra reconhecida por externar a voz da juventude em meio à abertura política e às incertezas dos anos 1970.

Fruto de uma parceria entre a Fundação Clóvis Salgado (FCS) – entidade que mantém o Cine Humberto Mauro, a Cinemateca da Embaixada da França no Brasil, a Embaixada da França no Brasil e o Institut Français, a mostra Clássicos Africanos fica em cartaz até 22 de agosto e a programação completa está disponível no site da FCS. O cinema fica no Palácio das Artes, na Avenida Afonso Pena, 1537 – Centro. Toda a programação é gratuita e os ingressos devem ser retirados 30 minutos antes de cada sessão. Outras informações pelo telefone (31) 3236-7400.

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