Liberdade esculpida a aço, bronze e alumínio

Posted on 06/10/2015

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Exposição inédita de Lella Castello Branco propõe diferentes interpretações sobre o conceito de liberdade

Artista expõe em BH pela primeira vez / Roberto Benatti

Artista expõe em BH pela primeira vez / Roberto Benatti

Pela primeira vez, Belo Horizonte recebe a exposição “Parâmetros da Liberdade”, da artista plástica carioca Lella Castello Branco. Aço, bronze e alumínio são as matérias primas de dez esculturas e uma videoinstalação criadas por Lella para questionar escolhas coletivas e independentes e provocar o público por meio de obras que dialogam e propõem diferentes interpretações sobre a liberdade. O trabalho pode ser conferido até 8 de novembro, na sala de exposições no 3º andar do Memorial Minas Gerais, na Praça da Liberdade. A entrada é gratuita.

A inspiração para o trabalho surgiu após um convite que a artista recebeu para expor no Centro Cultural Justiça Federal, no Rio de Janeiro. O prédio que, até a década de 1960 abrigava a sede do Supremo Tribunal Federal, se transformou em um espaço de memória após a inauguração de Brasília. Para resgatar algumas lembranças do local, Lella criou uma série de esculturas que dialogassem com um direito garantido pela Constituição: a liberdade. “Eu pensei, então, que a justiça e a liberdade tinham tudo a ver com o Centro”, disse.

Esculturas são metáforas para a liberdade do ser humano / Roberto Benatti

Esculturas são metáforas para a liberdade do ser humano / Roberto Benatti

Os conceitos que inspiraram as esculturas de Lella aparecem um tanto quanto pesados e amarrados às próprias esculturas. Embora o alumínio configure certa leveza a algumas obras, como em “O Tempo Voa”, em que um pássaro, sustentando por uma estrutura em espiral e esculpido em alumínio polido, surge em voo ascendente, o que se percebe é um duelo constante entre figuras humanas presas ou amarradas a densas estruturas de bronze e aço. “Simbiose” revela duas figuras humanas em bronze patinado, unidas e imortalizadas pelo tempo.

A curiosidade do visitante é provocada, ainda mais, com a obra “Quero Mesmo me Levantar?” Duas esculturas monumentais, com 2mx1m de dimensão, foram instaladas em um espaço anexo à sala, que teve as paredes revestidas com material refletivo para dar um ambiente ad infinitum. As obras estão na posição horizontal e, devido ao efeito do metal na parede, os reflexos são infinitos. Uma metáfora para o ciclo contínuo na vida de qualquer pessoa que, mesmo sendo livre, sempre estará preso às escolhas que fizer.

O gosto pela escultura começou ainda na década de 1970, quando Lella estudava matemática no Rio de Janeiro. A possibilidade de trabalhar com diferentes materiais e dimensões despertou o interesse da artista, que já expôs em várias cidades, do Brasil e do mundo. “Eu gosto de trabalhar, talvez, com três dimensões. A minha primeira faculdade foi de matemática, então, a minha mente também é um pouco voltada para ciências exatas. Eu acho que tem a ver com isso”, disse.

"Quero me levantar agora?" e "Invisible Chains" / Roberto Benatti

“Quero me levantar agora?” e “Invisible Chains” / Roberto Benatti

Embora seja livre por essência, o ser humano é passível de mudanças e precisa se adaptar constantemente. O mesmo ocorreu com o trabalho de Lella. Assim que foi convidada a expor na capital mineira, ela percebeu que seria impossível trazer uma instalação com correntes para o espaço, já que o teto do Memorial Minas Gerais não suportaria o peso da obra por ser todo em madeira. E o que era físico se transformou na primeira videoinstalação de Lella: “Invisible Chains” (correntes invisíveis), com inspirações vindas das ideias de um famoso filósofo suíço.

“Eu me lembrei do livro Contrato Social, do Jean Jacques Rousseau. Em certo momento do texto, ele diz que o homem nasce livre, mas por todas as partes encontra-se acorrentado. Acabei por conectar essa passagem com a minha proposta de vídeo, e surgiu Invisible Chains”, explicou a artista. A obra foi gravada em um parque em que é possível observar, em um plano geral, correntes que se misturam ao verde do local.

Natural da capital fluminense, Lella está radicada em Londres desde 1988. Suas esculturas fazem parte de coleções particulares no Brasil, Egito, Inglaterra e Suíça. Com essa primeira exposição na cidade, a artista espera despertar diversas possibilidades interpretativas no público da capital mineira. “Belo Horizonte é uma cidade muito cultural e os mineiros, no geral, anseiam por cultura. Eu espero que as pessoas se inspirem com o meu trabalho que, coincidentemente ou não, está inserido em um local histórico”, finalizou.

Bronze, aço e alumínio compõem a maioria das obras expostas / Roberto Benatti

Bronze, aço e alumínio compõem a maioria das obras expostas / Roberto Benatti

“Parâmetros da Liberdade” fica em exposição no Memorial Minas Gerais até 8 de novembro, com entrada franca. O trabalho pode ser visitado às terças, às quartas, às sextas e aos sábados, das 10h às 17h30, com permanência até 18h. Quintas, das 10h às 21h30, com permanência até 22h. Domingos, das 10h às 15h30, com permanência até 16h. Outras informações estão disponíveis no site do Memorial ou pelo telefone (31) 3343-7317.

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Posted in: Arte, Cultura