Resgate da memória e intervenções artísticas marcam abertura do VAC

Posted on 15/01/2014

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Evento vai ocupar a cidade, até 16 de fevereiro, com uma série de atrações culturais

Grupo de Percussão da UFMG / Netun Lima

Grupo de Percussão da UFMG / Netun Lima

Teatro, dança, literatura, música e uma série de manifestações artísticas marcam a 8ª edição do Verão Arte Contemporânea (VAC 08). O festival, que tem como tema “Inventário”, abre espaço para a experimentação, a diversidade expressiva e os novos formatos criativos, além de privilegiar a memória efetiva nesta temporada.

A abertura do VAC 08 ocorreu na terça-feira, 14, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), com uma programação para dialogar com a própria concepção do evento.

No auditório do CCBB, o Grupo de Percussão da UFMG realizou uma intervenção musical com três peças sonoras, que celebram questões como a gestualidade, o espaço de performance e a tecnologia. No palco, xilofone, isqueiros, jarros de cerâmica e tambores deram o tom da apresentação, marcada, principalmente, pela originalidade do grupo, que surpreendeu quem assistiu ao espetáculo.

Furores Abstratos”, intervenção visual-musical / Netun Lima

Furores Abstratos”, intervenção visual-musical / Netun Lima

Já no Pátio de Convivência do CCBB, foi a vez da música estabelecer parâmetros com as imagens. “Furores Abstratos”, intervenção visual-musical, surpreendeu o público, combinando instrumentos acústicos, eletrônicos e projeções de imagens fazendo referência à memória, à contemporaneidade, ao universo das artes, às abstrações e às figuras humanas – em um diálogo com a arquitetura do espaço.

A grande surpresa da abertura do VAC 08 ficou por conta da instalação “Desusáveis”, intervenção artística que foi um convite ao resgate da memória de cada convidado. A ideia era estimular os participantes a levarem, de casa, objetos em desuso para que fossem deixados no espaço e, em seguida, trocados entre as pessoas. Livros, vinis, jogos, catálogos de moda, brinquedos e uma infinidade de artefatos fizeram parte do inventário da instalação.

Instalação “Desusáveis”, inspirada no resgate da memória afetiva / Netun Lima

Instalação “Desusáveis”, inspirada no resgate da memória afetiva / Netun Lima

A estudante de arte Camilla Machado levou para casa um livro sobre Leonardo Da Vinci. “Quase não acreditei que esse material estava aqui. É uma raridade”, disse Camilla. Como mandava o roteiro, a estudante trouxe um pequeno estojo com pincéis e tintas. “Tomara que alguém queira levar para casa, e descubra algum talento para as artes”, brincou.

O músico Diogo Lopes deixou um violão de brinquedo (sem cordas) e levou para o “Jogo da Vida”. “O violão deve ser mais velho do que eu, mas foi ele que despertou a minha paixão pela música. Já o ‘Jogo da Vida’ é uma relíquia. Eu tinha um desses, em casa, mas devo ter perdido. Esse aqui eu vou guardar com carinho”.

Segundo Ione Medeiros, diretora do Grupo Oficcina Multimédia, que organiza o evento desde sua primeira edição, em parceria com a Mercado Moderno, a cada ano, o VAC apresenta uma temática diferente. Nesta edição, o conceito aborda os “inventários, pois nós percebemos que vários trabalhos têm essa característica” apontou.

Neste ano, 57 atrações nacionais e internacionais, espalhadas por 31 espaços da cidade, serão mais uma opção para as férias. O VAC 08 se estende até 16 de fevereiro, com várias atrações gratuitas. Os ingressos da programação paga custam R$ 16 e R$ 8 (meia-entrada). A programação completa do festival e outras informações estão disponíveis em http://www.veraoarte.com.br.