Os Gigantes sobem ao palco

Posted on 13/09/2013

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Grupo Galpão apresenta “Os Gigantes da Montanha”, no Teatro Bradesco, neste fim de semana

Peça está em cartaz no Teatro Bradesco, neste fim de semana / Divulgação

Peça está em cartaz no Teatro Bradesco, neste fim de semana / Divulgação

Após longa temporada fora de Belo Horizonte, o Grupo Galpão volta aos palcos da capital mineira com a peça “Os Gigantes da Montanha”. Originalmente pensado para a rua, a montagem inspirada no texto do autor italiano Luigi Pirandello, já atraiu mais de 60 mil espectadores na temporada de estreia, que também passou por Goiás, Paraíba e Pernambuco.

Agora, o Galpão encara um novo desafio. “Os Gigantes da Montanha” estará em cartaz nesta sexta-feira (13) e sábado (14), às 21h, e domingo (15), às 20h, no Teatro Bradesco. A diferença é que, com esta curta temporada nos palcos, os integrantes do Galpão poderão conferir se a montagem, que fez sucesso nas ruas, funciona para um cenário com mais recursos tecnológicos e diferentes perspectivas do público. Além disso, a obra de Pirandello não tem um fim específico.

Quando morreu vítima de pneumonia, em 1936, ele só havia concluído dois atos. Já no leito de morte, o autor revelou ao filho Stefano um possível desfecho, que aparece indicado como sugestão para o terceiro ato. A incompletude, o caráter de obra aberta, permitindo múltiplas leituras e interpretações, é o que fascinou e seduziu o Galpão a montar o texto.

“É um convite ao delírio. Existe uma sedução na obra de Pirandello que nos encantou. Há momentos em que parece que ninguém está entendendo nada da peça, mas, como o próprio autor disse, há um momento em que é preciso não entender o espetáculo”, disse Inêz Peixoto, que interpreta a Condessa Ilse na peça.

“Os Gigantes da Montanha” também marca o retorno da parceria do Galpão com o diretor Gabriel Villela responsável pelas montagens de “Romeu e Julieta” (1992) e a “Rua da Amargura” (1994). A peça aposta em belos cenários e na música interpretada ao vivo pelos atores. Para compor o repertório, foram selecionadas árias e canções italianas, como Ciao amore e Bella ciao. Para Eduardo Moreira, que faz o papel de Cotrone, “ele (Gabriel Villela) conseguiu nos instigar a ir além do texto; a explorar todas as maneiras que poderíamos trabalhar esse espetáculo”.

A história narra a chegada de uma companhia teatral decadente a uma vila isolada do mundo, cheia de encantos, governada pelo mago Cotrone. Os atores mambembes estão em declínio e miséria, por obsessão de sua primeira atriz, a Condessa Ilse, em montar A fábula do filho trocado – peça escrita por um jovem poeta que se matou por amor não correspondido pela condessa.

Cotrone, o mago, começa a construir os fantasmas dos personagens que faltam para a companhia montar a peça. Ele convida os atores a permanecerem na vila, representando apenas para si mesmos a fábula do filho trocado. Já Ilse insiste que a obra deve viver entre os homens, sendo representada para o público. A solução é sua apresentação para os chamados “gigantes da montanha”, povo que vive próximo da vila.

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Posted in: Cultura