Bate papo com José Murilo Carvalho inaugura projeto da Academia Mineira de Letras

Posted on 08/08/2013

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Evento abordou, principalmente, as manifestações populares que marcaram a história política do país

José Murilo de Carvalho traçou uma linha do tempo sobre as manifestações políticas no país / Alexandre Reis

José Murilo de Carvalho traçou uma linha do tempo sobre as manifestações políticas no país / Alexandre Reis

A Academia Mineira de Letras (AML) recebeu, na quarta-feira, 7, o acadêmico, sociólogo e historiador José Murilo de Carvalho, para um debate sobre a emergência do povo político no Brasil. O evento deu início às atividades do projeto “O Autor na Academia”, e teve, como um dos destaques, as recentes manifestações que ocorreram em todo o país, durante a Copa das Confederações.

Para dar sustentação à conversa e ilustrar os movimentos sociais, José Murilo de Carvalho se agarrou trabalho publicado em 2011, o livro “Cidadania no Brasil – O longo caminho”, narrativa que apresenta a formação da identidade política da nação, ao longo dos anos, com foco nos direitos civis, sociais e políticos.

Ocupante da cadeira nº 5 da AML, o escritor é um profundo conhecedor dos movimentos sociais que caminharam ao lado do desenvolvimento socioeconômico brasileiro. Para José Murilo, o Brasil “só passou a ser Brasil a partir do momento em que as pessoas começaram a se revoltar, a querer sair para as ruas e brigar por direitos. Eu gosto sempre de destacar o movimento abolicionista, que, para mim, foi o grande marco da nossa história de lutas”, apontou.

A Revolução de 1930, o Golpe de 1964 e as Diretas Já, além de outros tantos momentos políticos, serviram de base para aquilo que os brasileiros chamam, hoje, de nação democrática, explicou o autor. “O que se verifica, ao longo desses nossos cinco séculos de história, é que a balança começa a pesar à medida que os avanços sociais vão alterando e fortalecendo a opinião pública. Com isso, surgiram todos esses movimentos.”

José Murilo também analisou as recentes manifestações que pararam o país durante o mês de junho. Para o autor, “existe um cenário totalmente diferente, hoje, no Brasil. Nós começamos a nos perguntar: – quem são essas pessoas, de onde elas vêm, o que elas querem – e, para mim, o mais importante, – o que vem depois de tudo isso-”.

Para o escritor, houve um rompimento de parte da sociedade com a mídia tradicional, e um fortalecimento da internet. “Se você quisesse saber o que estava acontecendo, tinha que acessar a internet, pois foi lá que o movimento começou. O que fica muito claro nesses eventos é que nós não estamos bem representados. E, principalmente, nós não nos sentimos democraticamente representados”, finalizou.

O projeto “O Autor na Academia” é uma releitura do “Bate Papo com o Autor”, iniciativa da antiga gestão da AML. Para o atual presidente da entidade, Olavo Romano, a proposta é trazer, uma vez a cada mês, um escritor, membro ou não da AML, para debater diversos temas. “É o momento que a Academia tem para abrir as portas e receber o público, para um encontro que privilegia o que há de melhor na nossa literatura”, destacou.

Em Setembro, a casa recebe Antônio Carlos Secchin, que irá debater a vida e a obra de um dos maiores nomes da literatura nacional, o poeta mineiro Alphonsus de Guimaraens. Outras informações sobre os próximos eventos estão disponíveis no site da AML.

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Posted in: Literatura, Política