Memórias que vêm do lixo

Posted on 03/08/2013

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Documentário de Marcelo Leite mostra a vida de catadoras de lixo no Morro das Pedras, na década de 1970

Dona Efigênia, uma das personagens do documentário, relembra histórias do lixão do Morro das Pedras

Dona Efigênia, uma das personagens do documentário, relembra histórias do lixão do Morro das Pedras /Divulgação

Sete senhoras com histórias de superação, luta e autonomia no meio do lixo. Esse é o envolvente enredo do documentário “Aterro”, primeiro longa de Marcelo Leite. O filme narra os momentos marcantes dessas mulheres que passaram por diversas situações, enquanto buscavam uma forma alternativa de ganhar no aterro do Morro das Pedras, na década de 1970. O documentário estreou na sexta-feira, 2, e estará em cartaz até a próxima quinta-feira, 8, no Cine CentoeQuatro.

Construída e inaugurada sob os preceitos progressistas no final do século XIX, Belo Horizonte, ao longo dos cinquenta anos seguintes, encontrou um dilema com sua produção de lixo, que extrapolou os limites do sistema de gestão de resíduos, sendo jogados a céu aberto, a menos de 5 km do centro da capital mineira, onde hoje fica o bairro Morro das Pedras.

“Aterro” apresenta mulheres humildes, marcadas por lembranças de um tempo em que as discussões sobre sustentabilidade ainda engatinhavam. Embora vivendo às margens da sociedade, naquela época, as personagens dessa história passaram a conhecer, e a entender, os conceitos de desperdício, reaproveitamento e reutilização.

Premiado em diversos festivais, o documentário aborda a relação que essas mulheres tiveram com o lixo, ao longo dos anos. São depoimentos marcantes, sobre um estilo de vida que, para alguns, representava submissão, mas, para aquelas senhoras, era uma fase feliz. Uma das personagens construiu a casa, onde vive até hoje, com o que encontrou no lixão.

Há também relatos de tristeza, como o encontro de uma grande quantidade de fetos, pedaços de corpos, os perigos e riscos do lixão, como um incêndio, em 1971, devido à explosão de gás metano, que provocou uma avalanche de lixo, derrubando casas na região e causando a morte de vários moradores. Além da relação dessas senhoras com o restante da sociedade que, na maioria das vezes, as tratavam como subprodutos.

O diretor Marcelo Leite explica que começou a se interessar por essa história em 2007, quando era professor de vídeo no Instituto Cruz de Malta. A partir de então, ele foi recolhendo depoimentos, conversando com os moradores, até que, em 2009, o projeto foi aprovado na Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Com os recursos obtidos, o diretor passou a pensar o roteiro do filme e, em 2011, lançava Aterro.

Segundo Marcelo, “o filme precisava de uma estreia, circular na cidade. É importante que as pessoas conheçam as histórias que essas mulheres têm para contar e a relação que elas têm com o lixo”, disse. O diretor ainda destaca a relevância do trabalho para a memória da cidade, já que, “não há muitos registros sobre essa fase da cidade, principalmente, sobre o incêndio de 1971”, finalizou.

Aterro
Direção: Marcelo Reis, Brasil, 2011, 72 min, FullHD, livre
De 2 (sexta-feira) a 8 (quinta-feira) de agosto, exceto segunda-feira, 05/08
Horário: 21h
Ingressos: R$ 10 (inteira); R$ 5 (meia-entrada)
Cine CentoeQuatro – praça Ruy Barbosa, 104, centro, Belo Horizonte.
Informações: (31) 3222-6457

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Posted in: Cinema