Artesãos do concreto

Posted on 19/03/2013

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Exposição no Centro de Arte Popular – Cemig destaca o trabalho de artistas que moram em Belo Horizonte.

Exposição reúne o trabalho de 13 artistas da capital mineira.

Exposição reúne o trabalho de 13 artistas da capital mineira.

Em 19 de março se comemora o dia de São José, o Padroeiro dos Artesãos. A data também celebra o Dia do Artesão. O dia de São José representa um momento de confraternização para o Centro de Arte Popular – Cemig (CAP). O espaço, fundado em 2012, comemorou seu primeiro ano de vida na segunda, 19, com uma homenagem aos grandes mestres do artesanato. Para exaltar uma fase tão significativa, o CAP preparou uma exposição que coloca em evidência os Grandes Mestres artesãos de Belo Horizonte.

“Mestres da Capital” é o nome da mais recente exposição do Centro. O Espaço reúne, na Sala de Exposições Temporárias, os trabalhos de treze Mestres Artesãos que vivem em Belo Horizonte: Álvaro Jorge, As Mariquinhas, Cláudio Gerais, Detimar Vieira, Hygino de Almeida, Jacinta Maria Paulo Souza (dona Jacinta das Bonecas), José Damasceno Telles Camilo, José Leôncio de Araújo, Maurino de Araújo, Nelsino Lourenço, Olinto de Araújo, Vanderley Campos de Sena e Willi Carvalho.

Esta é a primeira vez que os artistas têm suas obras expostas lado a lado, mesmo se conhecendo de longa data. Eles estão, há pelo menos, 25 anos no universo das artes. “É um momento histórico e grandioso, porque o trabalho do outro enriquece o nosso”, aponta o escultor Hygino Simplício, um dos que sugeriram a exposição à Superintendência de Artesanato. Primeiro aluno do mestre Maurino de Araújo, grande nome da escultura no país, Hygino também fala da emoção de expor junto ao seu professor. “Em 35 anos, é a primeira vez que vou ter um trabalho meu ao lado do dele” pontua.

“Foi uma ideia fantástica. As pessoas, principalmente os turistas, acham que só no interior existe o artesanato mineiro. Quando alguém vai visitar meu ateliê, elas se encantam com o meu trabalho, pois não esperam que um artista da capital faça esse tipo de obra”, conta Vanderley Campos de Sena. O artesão ainda ressalta a importância que do Centro de Arte Popular. “Numa cidade grande, ter um espaço que se dedica aos trabalhos populares, é uma maravilha. Esse lugar é a vitrine para qualquer artesão”.

A arte sacra, também é tem destaque na exposição. Na foto, esculturas de Detimar Vieira, o Det.

A arte sacra, também é tem destaque na exposição. Na foto, esculturas de Detimar Vieira, o Det.

São cerca de 40 obras, nos mais diversos suportes. Há trabalhos em: tecido, cerâmica, madeira e metal, todos feitas por artistas belo-horizontinos ou que moram em regiões periféricas da cidade, como os bairros Céu Azul, 1º de Maio e União. O visitante poderá, então, conferir traços, curvas e cores que retratam a diversidade da produção da arte popular produzida na capital e desvendam o universo destes artistas: o religioso, o real e, em sua maioria, o fantasioso.

A arte sacra, como era de se imaginar, está presente em, praticamente, todas as obras expostas. São Francisco de Assis, por exemplo, é retratado por três artistas: Detimar Eustáquio Vieira, o Det; Álvaro Jorge e Cláudio Gerais. Estilos distantes para um mesmo santo. Devoção e fé por meio de madeira, tinta e desenhos. Há, também, bonecas de pano produzidas pelas As Mariquinhas, grupo de dez mulheres; pinturas do mestre José Damasceno, cujo trabalho revela o cotidiano urbano; e miniaturas coloridas de Willi Carvalho.

São Francisco de Assis, por Álvaro Jorge.

São Francisco de Assis, por Álvaro Jorge.

O coordenador do CAP, Juliano Januzzi, explica que a exposição precisou de uma curadoria compartilhada para chegar ao resultado final. “Selecionamos algumas obras, montamos recortes e, só então, optamos pelos trabalhos que seriam expostos”, aponta. Ainda de acordo com o coordenador, a preferência foi por artesãos que estivessem em atividade. “Houve um interesse em se prezar pelas obras mais recentes. Há peças expostas aqui na Sala que acabaram de ser feitas”, diz.

A coordenadora do Centro de Artesanato Mineiro, Mazza de Palermo, que também colaborou com a curadoria da exposição, ressalta a importância da valorização do trabalho dos Mestres da Capital. “Além da visibilidade do trabalho desses artistas, a exposição celebra o aniversário do CAP. O mais importante disso tudo é lembrar, sempre, que Minas é o maior celeiro de artes da América Latina. Nesse espaço conseguimos reunir, agora, alguns dos pilares da arte popular”, aponta.

Com a ajuda do Governo

Bonecas de pano produzidas pelas As Mariquinhas.

Bonecas de pano produzidas pelas As Mariquinhas.

O Centro de Arte Popular – Cemig integra o Circuito Cultural Praça da
Liberdade e possui um acervo de 800 peças oriundas de várias partes do Estado. A proposta do Centro é divulgar, difundir e valorizar a arte popular feita em Minas. Para a exposição Mestres da Capital, que é uma iniciativa do Governo de Minas, por meio da Secretaria Estadual de Cultura e da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, a proposta é que todos os trabalhos sejam vendidos, após o término da exposição.

O superintendente de artesanato do Estado, Thiago Tomaz, aponta que o poder público também toma partido para colaborar com o trabalho dos mestres. “Estamos falando de arte, de manifestação artística, mas o trabalho exposto é a vida deles, o ganha pão desses artistas. Por isso, após a mostra, praticamente 90% das peças estarão à venda no Centro de Artesanato Mineiro , no Palácio das Artes”, explica.

A exposição “Mestres da Capital” está no Centro de Arte Popular- Cemig, que funciona na rua Gonçalves Dias, 1608, Funcionários. O trabalho dos artistas pode ser conferido até 30 de abril, na 3ª, 4ª e 6ª, das 10h às 19h. Sábado e domingo, das 12h às 19h. A entrada é gratuita. Outras informações: (31) 3222-3231.

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Posted in: Arte, Cidades