Grupo Galpão prepara remontagem de Romeu e Julieta

Posted on 02/03/2012

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Após quase dez anos, Galpão prepara remontagem de Romeu e Julieta

A montagem de uma das mais famosas histórias de amor de todos os tempos, Romeu e Julieta, de William Shakespeare, foi um marco na carreira do Grupo Galpão. A primeira apresentação realizada em 1992, na cidade de Ouro Preto, alavancou a carreira do grupo que, ao longo dos anos, construiu uma história de sucesso no universo das artes cênicas, conquistando não só o Brasil, como diversos países. A última apresentação de Romeu e Julieta foi em 2003 e, depois de quase dez anos sem apresentar a peça, o Galpão vai voltar à terra de Shakespeare para mais uma série de apresentações no Shakespeare’s Globe Theater, em Londres. Outro motivo para comemorar é o reencontro com o diretor Gabriel Villela, que após algum tempo sem se envolver com o grupo, entra nessa jornada de redescobertas para a montagem de “Romeu e Julieta”.

A remontagem da peça representa, para os atores, mais um desafio na carreira.

A tragédia de Shakespeare foi um marco na carreira do grupo. O encontro com Gabriel Villela significou a ousadia de fazer um clássico na rua. Ao texto original do espetáculo, na clássica tradução de Onestaldo de Pennaforte, juntam-se elementos da cultura popular brasileira e mineira, presentes nas serestas e modinhas, nos adereços e figurinos que remetem ao interior profundo do Brasil. Esse conceito sustenta todo o espetáculo, especialmente na figura do narrador, que rege toda a ação com uma linguagem inspirada em Guimarães Rosa e no sertão mineiro. Segundo Gabriel Villela, pouca coisa mudou após dez anos sem dirigir a peça. “Romeu e Julieta ainda está intacta em sua essência. O texto é o mesmo, o figurino também. O que nos castigou foi o tempo. Havia certa insegurança em relação aos atores. Será que todo mundo ainda tinha o mesmo físico para se equilibrar em perna de pau?”, disse.

Para a atriz Fernanda Viana, que interpreta Julieta na peça, o reencontro tem um ar nostálgico e, ao mesmo tempo, desafiador. “Nós temos redescoberto muitas coisas, as vozes que mudaram com o tempo, os novos sentidos que surgem ao ensaiar a peça. Isso faz com que a gente encare melhor o texto hoje do que há 20 anos. Isso é um desafio para o artista. Se reinventar no palco, se reencontrar”, contou. Já a atriz Teuda Bara, que também faz parte do elenco, disse que sentiu receio quando a ideia de remontar ‘Romeu e Julieta’ surgiu. “É uma peça que exige muito da gente, fisicamente falando. Você tem que subir escada, descer escada, correr no palco e por aí vai. Não tinha certeza se depois de tanto tempo, eu ia dar conta”, disse. Todos esses receios, na visão de Gabriel Villela, representam um amadurecimento do grupo. “A história é eterna, isso não tem como negar. Os atores, não. Penso que despertar esse tipo de sentimento no grupo é fazer com que o ator saia do seu espírito funcional e se encontre na sua forma mais poética. E isso vai dar muito mais cor à peça”, explicou.

Villela e o reencontro com Galpão

O diretor Gabriel Villela (centro) também encara o projeto como um desafio para sua carreira.

Após dirigir a primeira montagem de Romeu e Julieta, em 1993, e tornar o Galpão um dos grupos de teatro popular mais consagrado do país, Gabriel Villela galgou diferentes projetos artísticos em sua carreira e já trabalhou com grandes nomes como Beatriz Segall, Marieta Severo e Maria Padilha. Seu caminho voltou a se cruzar com o Galpão quando realizou “A Rua da Amargura”, texto de Eduardo Garrido inspirado nos ritos da semana santa e, mais uma vez, com elementos do circo-teatro. A peça também conquistou a crítica e ganhou os prêmios “Molière” e “Shell” de melhor direção.

A partir dos anos 1990, distanciou-se do Galpão e apostou em montagens inspiradas na obra de Chico Buarque, a partir da encenação de “Ópera do malandro”, “Os saltimbancos” e “Gota d’água”. No ano passado, diretor e atores começaram a discutir a remontagem de Romeu e Julieta e, com o passar do tempo, a ideia foi amadurecendo. A convite do estudioso inglês Paul Heritage, o Galpão irá se apresentar no Shakespeare’s Globe Theater, durante maratona cultural que ocorre paralela aos Jogos Olímpicos, que serão realizados na capital inglesa. Outros grupos de teatro, preferencialmente de outros países, também irão visitar Londres para montar apresentações de todas as 38 peças de William Shakespeare.

Romeu e Julieta em números

A peça já foi vista por mais de dois milhões de pessoas.

Desde sua estreia, em 1993, Romeu e Julieta do Grupo Galpão tem encantado espectadores por todo o país, e ao redor do mundo também. A última apresentação ocorreu em 2003 e, ao todo, após quase dez anos, já foram realizadas 274 apresentações em nove países: Uruguai, Colômbia, Espanha, Venezuela, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Holanda e Estados Unidos. Foram 91 cidades visitadas e cerca de dois milhões de pessoas já viram a adaptação do grupo.

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Posted in: Cultura, Diversão