Música Clássica e cantigas de roda se encontram no palco

Posted on 13/04/2011

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Tatá, o boneco de madeira que encantou   o público no Teatro Dom Silvério.O que a música clássica e as cantigas de roda têm em comum? Aparentemente, nada. Enquanto uma é “elitizada” e dificilmente cai no gosto popular, as outras embalaram, e embalam até hoje, as brincadeiras de várias crianças. Imagine, então, fazer uma mistura um tanto quanto improvável e colocar, no mesmo palco, aquelas famosas canções de roda com um arranjo erudito? Essa é a proposta do espetáculo cênico-musical “Cantigas de bem querer” que encerrou a temporada no último domingo (17/10), no Teatro Dom Silvério. A peça conta a história de Lili, uma boneca de pano, e Tatá, um boneco de madeira que chegam ao concerto de uma orquestra e, entre uma trapalhada e outra, interagem com as músicas por meio de cenas, cantigas e brincadeiras.

Um dos objetivos da peça é proporcionar o diálogo entre o erudito e o popular.

Criado pelo Instituto Candonguêro Arte e Cultura em parceria com a Orquestra Ouro Preto, “Cantigas de bem querer” propõe uma volta ao passado das brincadeiras infantis, mas sem nenhum saudosismo. No repertório, músicas como “O Cravo Brigou com a Rosa”, “Terezinha de Jesus”, “Cai-cai Balão”, entre outras do cancioneiro popular brasileiro ganharam arranjos diferentes feitos pelo maestro alemão radicado no Brasil, Ernst Mahle. A orquestra também mudou. Nada dos trajes sociais e sérios, mas sim, roupas coloridas e perucas engraçadas, para deixar a apresentação ainda mais divertida. Toda essa mistura agradou ao público que lotou o teatro Dom Silvério. Pais e filhos cantavam, de cor, todas as músicas do espetáculo que, apesar de terem recebido uma leitura diferente, não saíram da cabeça de ninguém. E é exatamente essa a proposta da peça, como explica o maestro Rodrigo Toffolo. Para ele, um dos objetivos da peça é proporcionar o diálogo entre o erudito e o popular. “O espetáculo pretende mostrar que o universo da música clássica não é assim tão fechado quanto as pessoas pensam. Queremos familiarizar as crianças e seus pais com esse estilo”, disse.

O maestro ainda relata que essa é a primeira vez que o grupo produz um espetáculo para o público infanto-juvenil. Apesar de ser um desafio dos grandes, Rodrigo tem gostado, e muito, da experiência. “O público responde de uma forma maravilhosa. Eles interagem e brincam com os personagens durante, mas quando a música fica mais séria, todo mundo fica quietinho no lugar”. O “Cantigas de Bem Querer” encerra sua temporada em Belo Horizonte com um gostinho de quero mais e aquela vontade de sair cantando todas as músicas que fizeram parte da nossa infância. A próxima apresentação do grupo está marcada para o dia 28/10, no Teatro Municipal de Sabará.

Fotos: Camila Rocha

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